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São Paulo, SP

Corredora Zen :-)

Corredora Zen :-)


Histórias de corrida, yoga, alimentação, produtos e provas. Para mim, corrida é um tipo de meditação e escrever um tipo de diversão. Muito prazer, eu sou a Natalia Yudenitsch, mas pode me chamar de Nat. Se quiser, fala comigo no corredorazen@gmail.com

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Yes, nós temos Bikilas!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 07/08/10 às 18:54 na(s) categoria(s) historias de corrida
Pessoas, minha super amiga e sócia Ceci fez uma colaboraçao inestimável para este blog: trouxe uma novidade quentinha que implora para ser testada. Apresentando a vcs o próximo teste da Corredora Zen – tcharammm – um lindo e colorido par do Bikila, modelo mais focado em corrida da Vibram FiveFingers, o calçado do coraçao de boa parte dos corredores que curtem minimalismo no que se refere a calçados para correr.
Primeira impressao super relevante: é lindo. E me desculpem as pessoas super práticas que acham que isso de visual, cartela de cores e beleza é uma inutilidade fútil, mas design é fundamental. Ao menos para este blog. Por isso não me espantei ao descobrir que a Vibram é italiana – esse povo que tem design nas veias.


Ok, assumo que rolou um momento deslumbre com as cores coloridérrimas. É que é algo que eu sinto MUITA falta nos tenis de corrida, ou melhor, nos modelos femininos. Quem é essa pessoa que decidiu que TODAS as mulheres só gostam de branco com corzinha pastel? Uma pessoa com TOC de rosa bebe, azul cuequinha e verde água, com certeza. Juro, me dá um tédio olhar as prateleiras. Ainda bem que nos últimos tempos isso tem mudado, eu tenho um Brooks pink susto e tem um Nike Lunar Glide roxo com cores cítricas que adoro, assim como o Brooks Green Silence, que está na minha lista. Mas que ainda está longe das opçoes da prateleira masculina, não há o que discutir. Entao ver a cartela desse Vibram foi um verdadeiro colírio.
Passado o Momento Experiencia Estética, segundas impressoes: muito macio, mas resistente. E leve, muuuito leve. Vestir exige uma certa curva de aprendizado, pq da primeira vez eu pastei uns 10 minutos até conseguir colocar tooodos os dedinhos em seus respectivos espaços – o dedao é fácil, mas os ultimos 3... Mas depois que vc consegue, é super confortável. Realmente, é o mais próximo ao andar descalço que eu já experimentei. Também é engraçado ver seus pés vestidos com ele. Eu gostei, mas as pessoas vao apontar e cochichar na rua – o que pode ser um ótimo quebra gelo para conhecer gente ou o inferno na terra, dependendo da sua personalidade. Eu, que sou mais caminho do meio, só me divirto.
Como eu gosto de ler historinha, achei bacana descobrir que a Vibram existe desde 1937 e que esse conceito FiveFingers veio do neto do fundador, que comprou a idéia assim que foi apresentado a ela. Tbm adorei saber que vc lava na máquina e seca no varal. E o nome do modelo, em homenagem ao maratonista etíope que corria descalço Abebe Bikila, tbm foi uma ótima sacada.
Mas isso era só p/ dividir a novidade com vcs, pessoas amigas. Porque esse teste vai demorar um pouco, que vou seguir as sugestoes da empresa e começar com o básico: andando, aiás andando por no mínimo 1h com a Mindoca, a simpática modelo que mostra o meu par de Bikilas neste post. A partir daí eu começo a arriscar um trotinho, ver o que acontece – e conto para vcs aqui, lógico.
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Dia de tiro


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 28/07/10 às 11:58 na(s) categoria(s) historias de corrida
Toda semana você sabe que vai ter Aquele Dia. O dia em que você vai morrer, bater no inferno e subir ao paraíso, tudo em algo como 1h de treino. Sim, é ele, o Dia de Tiro. O treino sangue-nozóio. A hora do vamo-vê. Impressionante minha relação de amor e ódio com esse treino de velocidade.

Porque têm outros treinos na semana onde você faz força, mas é diferente. Eu lembro do primeiro tiro que eu dei na minha vida, de 1k. Fiz em 5h48. Um aparte: é, eu lembro, porque eu tenho uma facilidade absurda de gravar informações super úteis como essa, assim como as palavras exatas ditas pelas pessoas há 10 anos atrás e números de telefone antigos. Parece que as únicas duas coisas que eu nunca consegui lembrar são nomes das pessoas e datas. Eu sou aquela que jamais lembrou de coisas como aniversário de namoro. Aliás, eu já casei e me separei há muito tempo e não, nunca consegui gravar sequer o ano em que essas coisas aconteceram, que se diga o mês e o dia.

Mas lá vou eu divagar sobre a Maldição da Memória. Voltemos aos treinos de tiros. Eu fiz esse 1º tiro da minha vida há uns 5 anos atrás e na verdade eu peguei o tempo para passar para a Cris, mas não tinha sequer parâmetros para saber se isso era um tempo péssimo ou bom. De lá para cá, se for pensar racionalmente, as coisas não mudaram tanto assim. Até hoje ainda não consegui chegar aos 4min cravados no tiro de mil. Meu recorde está em 4min10, e isso foi antes de Cruce.

Segunda-feira, meu dia de tiro oficial, fizemos 10 tiros de 1K - depois de um aquecimento de 3k, claro. Para conseguir fazer os 10, minha meta era manter nos 5min, o que até que deu certo - os primeiros tiros na base dos 4min58 ou 5min05 e a segunda parte na base dos 4min53, enquanto o povo fazia um pace suave de 4h30 ou 4h. Isso porque era para correr ritmo e não forte. Mas eu gostei, por incrível que pareça.

Outro treino de tiro que eu gosto é o pirâmide, aquele que vc começa fazendo tipo 500m forte e fraco, vai aumentando até chegar a 2K e depois desce novamente. Ou os tiros de 1,5K. Ou os curtinhos de 250m.

Na verdade, eu acho qualquer tiro que não sejam 6 de 1k bom. Porque esses 6 tiros de mil para mim são sempre os piores. Deve ser psicológico, porque não como 8 tiros de 1K serem melhores - mas são. Eu morro muito no de 6. Tipo no 3º minha mente fala "deu, posso ir embora?". No 4º eu tenho a sensação de que estou me arrastando e não aguento mais ver o mesmo percurso, aquela mesma curvinha no final da subidinha, o mesmo batbanheiro e a mesma maldita batvolta de 1K no Ibira. Já no último, que é assim pra morte, chego daquele jeito que tem que dar uma andada para não passar mal depois de terminar. E no fim, quando vejo os tempos, nem foi ruim. Mas a sensação durante é péssima.



Agora, que é isso que faz A Diferença na sua corrida, é uma verdade inegável. Nada ajuda tanto a melhorar performance (e estou falando de performance de pessoas normais como eu, não de gente que corre para baixo de 3min50 o km) quanto treino de velocidade. E a deixar o coração e o pulmão preparados.

Agora, uma coisa que já entendi, é que mais do que corpo o tiro tem a ver com a mente. Ou melhor, o quanto vc consegue deixar sua mente fora disso. Porque tem uma coisa chamada limite de desconforto que é tipo gosto, cada um tem o seu. A diferença é que quanto mais vc consegue ampliar esse limite, melhor e mais rápido que vc corre.

Um dia estávamos soltando pós treino no parque, batendo papo como sempre acontece, e a Cris comentando em como as pessoas tinham essa idéia de que os atletas de elite sofriam menos, que parecia que não sentiam desconforto algum a não ser quando estavam nos picos de velocidade em provas. E o quanto isso não era verdade. Porque assim que saem do trotinho, eles também saem da zona de conforto, como eu e você. só que o limite deles de aguentar o desconforto é muito muito superior.

Claro que existe a genética, biotipos, base sólida de corrida e muito treino. Não estou querendo dizer que vc amplia seu limite de desconforto e vira o Usain Bolt. Mas estou dizendo que se vc conseguir aumentar esse limite um pouquinho, a diferença nos seus tempos de tiro vai ser grande, isso sem alterar sua rotina atual de treinos.

E como faz isso? Infelizmente não tem uma fórmula. Tipo repita o mantra X enquanto respira de forma Y e corre de forma Z. Mas vc tem que dar um jeito de ignorar um pouco seu cérebro. Porque é ele quem diz para o seu corpo que vc chegou ao limite, normalmente beeeem antes de isso ser verdade. Seu cérebro é uma entidade precavida que tem por objetivo (bem louvável por sinal) evitar que seu corpo entre em colapso.

Então ele aperta o botão de pânico normalmente bem antes de qualquer ameaça real. Com o tempo, ele vai vendo que o corpo aguenta esse esforço e vai liberando mais, deixando você fazer mais força antes dele ordenar às suas pernas que diminuam o ritmo. Ou seja, ou vc se convence de que dá, acredita e continua a fazer força mesmo quando uma voz diz que não dá ou descobre outros jeitos de burlar essa trava automática que existe dentro de vc. E ampliar essa zona significa ter uma relação diferente com a dor e o desconforto. Porque eles vão continuar existindo, não se iluda. Só não vão ter tanto efeito sobre você.

Mas antes que me chamem de sem noção, vamos ressaltar algo que deveria ser óbvio: não faça isso sem antes passar por um check up e um teste ergoespirométrico e ter certeza de que seu corpo aguenta mesmo o tranco. Porque vencer limites é bem diferente de ser irresponsável.

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#runningdivas nas pistas


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 20/07/10 às 17:30 na(s) categoria(s) historias de corrida
Você já ouviu falar das #runningdivas? É assim mesmo, com esse jogo da velha na frente e as duas palavras escritas grudadinhas.

Quem usa o Twitter e está acostumado ao uso das hashtags - nome pomposo para temas e termos-chaves que passam a ser "acompanháveis" via Twitter. Funciona assim: digamos que você está treinando para a Maratona da Grande Montanha (acabei de inventar essa, nem adianta buscar no Google), naquele momento em que está mergulhado respirando tudo o que tem a ver com o tema. Aí você posta algo no Twitter e coloca a hashtag #maratonadagrandemontanha. Se todos que estiverem interessados e trocando informações sobre isso usarem a mesma hashtag, qualquer pessoa pode acessar tudo o que já foi dito (ou twittado) sobre o assunto, só buscando por #maratonadagrandemontanha. É prático, vai!


 

E o que são as divas corredoras do título do post? Ahá,eu só fiquei sabendo há uns meses atrás, graças à Renata Tucunduva, 4 anos de corrida e conectadíssima que só ela, para mim a runningdiva-mór, responsável pela minha entrada nessa nobre ala. Mas antes tenho que voltar um pouco mais no tempo (entra efeito flash back, onde tudo perde a nitidez e o mundo fica preto e branco). Essa história teve início quando conheci o @TwitersRun  , que é uma comunidade de corredores que se comunicam via Twitter - os leitores do Harry, twitteiro, blogueiro e Pessoa Online da Corrida, acompanham essa história há tempos. 

Tudo começou quando o Guto se inscreveu para correr uma prova. Só que ele não tinha assessoria e na hora de colocar o nome da equipe, não teve dúvidas: sapecou um Twitersrun (assim mesmo, com 1 T só), que virou um perfil de Twitter, que virou um grupo. A partir daí a comunidade foi crescendo e hoje está também no Facebook, tem site próprio, promove encontros e criou um evento que eu achei divertido: o TwittersRunDay. É assim: durante um final de semana, todo mundo posta no site quantos km correu. Vale prova, maratona, treino leve, trotinho, longão, o que for. No final, soma-se a quilometragem geral do povo. Marca do último TwittersRunDay: 3.456,6 km corridos por 309 corredores. Tá, não tem uma SUPER utilidade prática, mas é bacana acompanhar esses companheiros virtuais de corrida - e lembrem-se de que todo esse povo está lá no Twitter comentando todos esses treinos, então não vira só uma soma de km, acaba sendo um evento. Como a gente adora um eventinho, né não? Mesmo se for virtual.

E as divas, onde entram? Bem, no meio desses corredores online, óbvio, tem várias mulheres. E vocês já viram mulheres reunidas que não aparecem com idéias brilhantes? Não, né? Como sempre acontece nas redes sociais, alguém com boas idéias - neste caso a Yara Achoa, jornalista da Contra Relógio - surgiu com o nome runningdivas. Que óbvio, já tem outfit próprio (eu falei que mulheres reunidas têm idéias) com logo e tudo.




Eu to com a minha camiseta aqui e tenho que falar que adorei a idéia e a iniciativa. Que aliás, aconteceu muito graças ao esforços da Renata, que resumiu assim a Saga da Camiseta fazendo tudo parecer super simples e rápido: "A idéia da camiseta surgiu das mulheres do TwitersRun e eu abracei a idéia de mandar fazer, cobrar, pagar, entregar..."

Resumo da ópera: foi mulher, corredora e faz parte do @twitersrun já é, automaticamente, das #runningdivas. Quer a sua camiseta? Junte as mãos em prece na frente do peito e vá subindo, até que se abram em um grande movimento circular por cima da cabeça enquanto repete em voz tranquila: "eu sooooou uma floooor de lóóóóótus" - tudo isso para manter a clama e a paz de espírito enquanto espera a próxima edição das estampas sair.

É pessoas, a internê tá muito além do email-msn-orkut. Como dizia um professor meu de Comunicação "é a modernidade mundo".
 

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Diversão e muita força


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 28/06/10 às 13:22 na(s) categoria(s) historias de corrida
O título desse post resume como foi a prova de Bertioga-Maresias desse ano. Eu sei, eu sei, já faz tanto tempo que já já abrem as inscrições para o próximo. Essa minha enrolação para postar foi consequência das Quinzenas from Hell que andam pontuando minha vida. Sabe essa transição Itaú-Unibanco? Definitivamente from hell. Tira uma pessoa do sério essa coisa de atendentes educados (o que é bom, claro) mas que não podem fazer nada sobre nada e no final te perguntam se podem te ajudar em mais alguma coisa. Oi? Como assim por exemplo?

Isso sem falar nas correrias múltiplas e deadlines bafejando no cangote aqui na agência. Já se sentiram numa gincana, daquelas onde vc tem que correr atrás de itens bizarros tipo traga uma peruca rosa e um martelo em uma bolsa de plástico quadriculada. Isso, agora um autógrafo do Pelé. Atual, não vale se tiver mais de 5 anos.

Ok, respira, respiiiiira, pronto, já desabafei. Agora vamos para temas mais divertidos, como foi o revezamento Bertioga-Maresias. Primeiro, momento futilidade: adorei a camiseta - um vermelho mais fechado, manga longa, bacana mesmo. Mas em equipe feminina tem que ver que o visual tem um certo peso, mesmo que a gente tenha acordado tão cedo que não deu tempo dos neurônios registrarem detalhes como outfits alheios.

Eu disse cedo? Eu queria dizer ainda de noite. Porque dessa vez a maior parte da nossa equipe resolveu fazer um bate e volta, ou seja, pegar estrada as 5h20 da matina e voltar depois da prova. E dá certo fazer isso? super dá, desde que vc tenha nervos de aço para os inevitáveis atrasos e espera só um minutinho e não se deixe abalar pelo medo de não conseguir chegar a tempo de largar. Porque no fim dá. Especialmente porque nosso carro de apoio oficial era a Esmeralda, uma LandRover sem medo da lama que foi muy gentilmente cedida por uma dupla de mãe e filha que já emocionou a equipe em anos anteriores ao fazer uma dobradinha só para passar o bastão de uma geração para a outra na prova.

Mas assim começou nossa prova, vivendo perigosamente e correndo (de carro) contra o relógio. Não se preocupem, ninguém correu tanto assim, mas que teve momentos de tensão e suspense lá isso teve. E era só a ida pra prova. Chegando lá, antes da largada, qual a coisa mais natural numa equipe feminina que não bobeia com a hidratação? Todo mundo precisa ir ao banheiro, lógico. Como era de se esperar, o único local que tinha banheiro e estava aberto àquela hora tinha uma fiiiiila enooorme no lado feminino. Entre ficar na fila mulherzinha e entrar com a maior naturalidade no banheiro masculino (vazio, fique bem entendido), o que vcs fariam? Nós ficamos com a 2ª opção, porque cara de pau e praticidade são essenciais numa prova.

Primeira constatação ao correr numa equipe de 6 (nos anos anteriores estávamos em 9): a logística é diferente e a prova fica mais ágil e dinâmica, gostei. O lado ruim é que acaba não dando tempo de fazer aquele super apoio-torcida coletiva que eu adoro, porque como 3 pessoas correm 2 trechos, tem que dividir todo mundo e se certificar de que ninguém vai se atrasar - o que QUASE aconteceu comigo, quaaaaase que eu não largo no meu 1º trecho - que foi o 3º trecho, de 6,8K.

Pessoas, ADOREI esse trecho, apesar de curto tem areia, trilha, asfalto e água. Visual bonito, gostoso de correr mesmo. Mas o que não tem preço MESMO é correr com as amigas. são tantas situações comédias que não dá nem para listar todas. Tem as as Pessoas Que Não Ligam de Usar o Matinho e as Pessoas que Só Usam Banheiros de Preferência de Shopping. Tem os momentos Respira no saquinho com medo de não dar tempo de chegar para o seu próximo trecho, agoniadas enquanto a Esmeralda enchia o tanque leeeentaaamennnnnte. Tem o surto de Preciso Trocar o Tênis Molhado Para o Próximo Trecho (tá, essa vou confessar que era eu e o pior, na hora H não troquei de tênis coisa nenhuma, claaaro), nossa motorista oficial de Esmeraldo proecupadíssima em não atropelar os cãezinhos praianos, o momento tenso em que a mesma Esmeralda quase que não sobe a serra, a parada para comprar água e picolé, as risadas, o frio na barriga da sua largada.



Dessa vez também pelo menos eu peguei água nos 2 trechos que fiz, ponto para a organização. E qual o resultado de tudo isso? Um lugar ao pódio no 4º lugar, por minuuutoooos. Antes que vcs falem ahn? 4º lugar tem pódio? Tem sim senhor. Tem até troféu. E nada de piadinhas, que depois de tudo vc pula grita e comemora como se tivesse sido o 1º, mesmo que o lado competitivo diga "ah, na próxima vez vcs vão ver só", especialmente pq não fiquei lá muito satisfeita com a minha performance - mas nem por isso deixei de amar a prova e ficar orgulhosa da performance excelente das minhas companheiras de equipe.

Um detalhe bacana dessa edição: aumentou MUITO o nº de Solo na prova (aquele povo corajoso que corre os 75K sozinho). Tinha bastante gente mesmo e era sempre emocionante ver Solo chegando ao final - ou percorrendo com garra qualquer parte do trecho. Teve uma solo que eu infelizmente não sei o nome que completou apoiada por duas pessoas da equipe médica. Dava para ver o nível de cansaço e provavelmente dor,
mas ela não desistiu - e tenho certeza de que vontade de parar não faltou. Terminou os últimos metros andando mas terminou, sob uma salva de palmas respeitosas. Não sei seu nome mas fica aqui minha admiração, querida Solo cheia de raça.Balanço final: dia lindo, final de prova com muito sol, muitas risadas, muita força.

Valeu meninas!
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Bertioga-Maresias na lista


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 12/05/10 às 12:19 na(s) categoria(s) historias de corrida
Está chegando aquela época do ano. Aquela qual? A de correr o revezamento Bertioga-Maresias, claro! Não que eu consiga manter essa assiduidade toda anualmente, mas essa é uma prova que eu sempre tento fazer. Ela tem tudo o que eu gosto: super alto astral, visual bacana, trechos com terrenos diferentes (areia, água, asfalto em planos, subidas e descidas) e possibilidade de se divertir com as amigas da sua equipe. Porque o planejamento e apoio já são metade da diversão nessa prova, a não ser que a pessoa seja do time que não entende o conceito de prova em grupo e acha que basta correr seu trecho e boa, de lá pode ir embora tomar banho e fazer churrasco. Não pode!

A graça dessa prova é que, além de fazer força na sua corrida, vc ainda pode torcer, apoiar, incentivar e ajudar sua equipe. Quando todo mundo corre junto e sofre junto, o gostinho de terminar é beeeem maior. Aliás, se vc nunca fez uma prova de revezamento, considere seriamente a possibilidade. É uma experiência bacana e bem diferente de correr sozinho e, se a sua equipe tiver o mesmo pace, senso de humor e objetivos que vc, vai te conquistar.
 

Claro que se vc é uma pessoa estilo Corredor Solitário fica mais difícil montar a equipe mais divertida ever, mas mesmo assim dá. Junta o pessoal do trabalho ou então começa a falar com amigos corredores, postar no forums de corrida e redes sociais da vida dizendo que procura equipe.

Só não despreze o peso das afinidades numa equipe de revezamento. Endorfinas e adrenalinas costumam gerar faíscas. Sabe aqueles dois que claramente o santo não bate mas que nunca chegaram a um confronto escancarado? Pois é bem provável que durante a prova esse confronto aconteça.

Se vc só quer terminar, não vai inventar de correr com quem está querendo fazer tempo ou quer buscar pódio - e vice versa. Também não vale se inscrever e depois não treinar direito, afinal nesse tipo de prova o seu desempenho afeta a equipe toda! Ao mesmo tempo, naquela hora que vc está morrendo e acha que vai quebrar ali mesmo, saber que tem alguém da equipe te esperando ou ver que o carro de apoio está ali do lado,
gritando e te empurrando pra frente e com uma garrafinha de isotônico-reuperador-de-vidas, te dá forças que vc nem sabia que tinha.

Gostou da idéia? Pois ainda dá para juntar um povo e correr Bertioga-Maresias, dá uma olhada AQUI.
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Maratona de SP na TV: ai que tristeza


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 03/05/10 às 11:01 na(s) categoria(s) historias de corrida
Domingo fui assistir a maratona de Sao Paulo na TV. Normalmente, eu adoro assistir as corridas - quando vc também corre, obviamente fica tudo muito mais emocionante. Vc sabe o quanto aquela subidinha ali é sofrida, se admira com o ritmo que o povo consegue impor, fica com o coração na mão quando vê que o gás de alguém está acabando perto do final e torce nas disputas de posições nos pelotões de elite.

O problema, como todos os fãs de corrida sabem, é a cobertura. Desta vez, por exemplo, nem sei que opções de emissoras eu teria, pq só ia conseguir assistir na Globo - coisa que eu evito sempre que posso, porque sempre pisam na bola, a começar com essa coisa prepotente de forçar os horários das provas para a grade de horários da emissora. Quem corre a meia do RJ, por exemplo, sente essa questão literalmente na pele, que esquenta horrores pelo horário tardio da largada.

Dessa vez não foi diferente. A cobertura começou com um tom displiscente, comentando que ah, a largada feminina já conteceu "há algum tempo" (vulgo elas já estavam depois do KM 10) e, para provar, mostraram a elite feminina numa micro janelinha enquanto a imagem principal mostrava o que realmente a Globo achava relevante: a prova paralela de revezamento entre jogadores de futebol, criada pela própria emissora, claro. Gente, que mico era aquele? Ou o jogador era completamente fora de forma, com barrigão de chopp e tudo (e que conseguia correr QUASE 1K, olha só que feito), ou então o cara se matava para fazer uns 5K ou 6K em ritmo meio trotinho. Nem o comentarista oficial conseguiu levar o revezamento bola murcha a sério, e olha que ele claramente nao entende lhufas de corrida e fica na dependencia do comentarista "consultor especialista" explicar as coisas.

Na boa, para que expor os jogadores a este mico leao dourado? Nao adianta nem me perguntar quem eram, pq futebol não é meu esporte e eu não sei lhufas a respeito (não, nem torço para nenhum time. Nenhum mesmo). Os caras talvez sejam ótimos com uma bola no pé, mas correndo... Pega até mal mostrar. Será que eles perderam alguma aposta?

Mas voltando a maratona. Só foram mostrar a disputa dura entre a brasileira Marily dos Santos e as quenianas no KM 15. Com os comentaristas tentando contar o que tinha acontecido da largada até ali. Já a largada da elite masculina foi mostrada - e dominou completamente a cobertura até o quase fim, quando a situação se inverteu. Uma frustração para mim, já que eu acho que muitas vezes rolam mais surpresas na elite feminina do que na masculina. E eu esperava acompanhar ambos né?

No lado bom, pelo menos dessa vez explicaram ao público o que são os coelhos da prova e que eles são contratados para dar o ritmo - na última São Silvestre o comentarista ficava se entusiasmando com a performance de um coelho, como se fosse uma revelação da prova. Claro que sabemos que as vezes coisas incríveis acontecem, se não me engano nossos queridos Vanderlei Cordeiro de Lima e Frank Caldeira já foram coelhos que de repente se entusiasmaram e ganharam a prova.

Dessa vez tambem mostraram um pouco mais de flashes do povo não-elite correndo, o que eu acho bacana, afinal as maratonas não são feitas só de pelotões de elite e tbm de gente como eu e vc, que só quer curtir a prova e melhorar marcas pessoais. E tbm eu tenho que confessar que adoro aquelas fantasias esdrúxulas que o povo inventa. Admiro sinceramente quem consegue correr 42K (ou até 10K) com máscaras tipo a do Homem-Aranha.

Na parte que pega a Berrini / Brooklin / Marginal, tem resistência do vento - o que levou a momentos que acho que foram emocionantes no peltão feminino, com direito a pití da Marily dos Santos com a Dibele Nega. Eu disse acho porque eu não vi, já que a TV estava mostrando o que essa hora? Os jogadores correndinho no revezamento picareta. ÓTEMO.

A hora que realmente decidiram mostrar a mulherada (ou seja, mostrar em janela principal por mais de 1min), era perto do KM 30, quando a Marily já estava correndo sozinha. Como isso aconteceu, não sabemos, pq ninguém que assistia via Globo viu. Quem eram as outras colocadas do pelotão? Nao faço idéia, não mostraram.

Agora a final feminina foi cheia de emoções. Nao falei que elite feminina costuma ser cheia de surpresas? Eu sofri com a Marily dos Santos quando o corpo dela obviamente parou de responder. Quem já não sentiu o gás acabando bem no finalzinho? Dor, cansaço extremo, o corpo vai dando shut down e bate um desespero porque falta menos de 3K - imagina se vc era a campeã e vê seu pódio indo pro espaço? Eu tbm vibrei com a Marizete Moreira. Que máximo vc sair lá de longe, virar a 2ª colocada e nos 2K finais dar um sprintada e ganhar a prova!

Já no masculino, apesar de ser o foco principal da cobertura, ficamos sabendo mais sobre os 2 coelhos quenianos do que sobre os corredores do pelotão de elite. Conseguimos perder os momentos mais cruciais também - que é quando o pelotão de elite se divide ou muda posições. Preciso falar o que estavam mostrando nesses momentos? Pois é, acertou, os gorditos - que estavam aguentando tiração de sarro até dos motoqueiros que os escoltavam. Coitados desses moços, espero que ao menos tenha rolado um cachê.

Foi bonito ver o jovem queniano Stanley Biwott - 23 aninhos - ganhar. Mesmo com o comentarista falando, em tom de desprezo, que "é, agora essa coisa de que maratonista de mais de 30 ganha já era". É impressionante como os quenianos corredores não aparentam a idade que têm. Vc acha que o cara tem uns 35, 37 e quando vai ver.. tem 22. A 1ª vez que vi a foto do Usain Bolt quase não acreditei que ele era taão novinho (na época da foto acho que tinha uns 21). Agora, provavelmente quando eles tiverem uns 50 vao continuar com essa mesma cara atemporal. E correndo muito, claro.

Mas se a cobertura foi assim, então por que é que este ser masoquista que vos escreve continuou assistindo? Porque eu queria ver a maratona, oras! Não me entendam mal, eu acho importante e muito bom para a corrida e seus fãs que pelo menos algumas provas estejam ganhando cobertura nacional. Eu gostaria que fossem mais, imagina que bacana ter cobertura de provas como a Volta a Ilha, o Cruce, da maratona de Foz de Iguaçu ou até de algumas provas mais rápidas tipo meias.

Eu também sei que a Globo tem todas as condições de fazer uma cobertura muito muito melhor. Tem profissionais, nível técnico e dinheiro de marketing. Se quisessem, poderiam ter uma cobertura profissa de dar inveja, com comentaristas que realmente entendessem e gostassem de corrida, informações que interessam a quem corre e nao só essas curiosidades estilo trivia que rolam.

Então minha briga nao é contra nenhuma emissora - é para melhorar o nível da cobertura existente. Como já acontece com esportes como automobilismo e futebol por exemplo. Se a gente que assiste não reclama, como é que vai mudar?

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Correndo com cães


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 30/04/10 às 12:37 na(s) categoria(s) historias de corrida
Pessoas queridas, eu já contei para vocês que eu tenho uma cã sorridente que parece o lobo negro das estepes né? Contei sim. Inclusive expliquei que é cã mesmo e não cachorra ou cadela. E que ela foi um dos motivos pelos quais comecei a correr. Porque eu queria fazer algo aeróbico mas não me conformava em fazer mais uma atividade fora de casa enquanto minha querida pastora (pastor fêmea é horrível, sorry) ficava com cara de tédio em casa.

Aí foi super bacana, porque começamos juntas o esquema de anda-dá-uma-corridinha, anda-dá-uma-corridinha. Isso por conta própria, só pesquisando na internê + lendo revistas. Só que rapidinho vi que treinar sozinha, estilo vire-uma-corredora-em-10-lições-sem-mestre não ia muito longe. Mesmo com as centenas de planilhas sugeridas em revistas e sites para qualquer tipo de coisa que vc cogite fazer, eu sentia falta de um feedback de alguém experiente. Porque vocês não tem noção de quantas dúvidas eu consigo arranjar sobre qualquer assunto. Tipo muitas. E aí, mesmo com o santo Google à disposição, não resolvia. Daí arrumei uma assessoria que deixava eu treinar com a Mindoca (apelido carinhoso da Mindy). A Cris, naquela época, tinha o saudoso Fortunato, um whippet que sempre vinha ao treino e que desprezava a Mindy olimpicamente. TIpo fingia que ela nem existia.

Quando comecei a correr de verdade, a Mindy aprendeu junto. Fazia treinos longos entre 10K e 15K na boa, sem ficar acabada depois. O problema foi quando comecei a dar uns tiros mais fortes. Porque a vet da Mindy disse que não tinha problema nenhum em correr, desde que começasse aos poucos, que eu SEMPRE respeitasse o ritmo dela e ficasse muito, mas MUITO atenta a desidratação, mas que pastores alemães são cães mais de endurance - ou seja, eles aguentam bem o tranco das distâncias e curtem correr, mas eles não foram feitos para velocidade, explosão. Assim tipo eu. Por isso que eu e a Mindoca somos uma boa dupla.

Então, nada de treinos de tiros com ela. Para complicar, no verão não dá para treinar de dia se estiver sol - experimenta você vestir um casado de pele preto e sair correndo no sol para ver como é gostoso. Como ela acabou passando os últimos anos quase sem correr por uma série de razões, chegou a hora da volta às pistas. Então estou recomeçando o treinamento de corrida com ela, aos poucos, mas memória muscular é uma coisa incrível e ela já está com a corda toda! É só me ver vestindo o tênis que já começa a respirar no saquinho (quem conhece a raça sabe que ansiedade faz parte do pacote, assim como a obsessão). Aí pensei em dividir com vocês o que já aprendi sobre correr com cães - lembrando só que eu não sou veterinária, então na dúvida consulte uma.

1) Seu cão tem condições de virar corredor? Porque as raças que têm narizes mais achatados tipo bulldog não podem, pois a respiração deles é mais difícil e pode dar um tilt se eles forçarem demais, então não insista!  Cães muito pequenos também não são uma boa para isso, porque pensa bem: cada passada sua deve dar umas 10 dele! Não é justo, é igual eu querer treinar lado a lado com o Haile Gebrselassie, em cerca de 5 min alguém já estaria me levando embora de maca. Os cães de chassis mais pesado (que aliás eu adoro), tipo pitbulls e rottweilers, precisa ficar atento e ver se eles estão curtindo a prática. Como são pesados, é mais duro para eles carregar esse peso, então eles costumam curtir umas trotadinhas curtas, sem forçar na velocidade nem na distância. Checa com o vet antes se não vai sobrecarregar o ser. Raças que costumam curtir corridas: whippets e galgos em geral (esses sim, podem fazer treino de tiro com vc, ou melhor, na sua frente), pastores (e seus vários tipos), labradores, dobermanns, srds (os simpáticos viras), weirmaraners, setters, pointers e poodles de maior porte.

2) Idade. Minha vet só liberou a Mindy para correr porque ela já não era mais filhote. Ela não liberaria um cão com menos de 8 meses, então se o seu for novinho, use a mesma lógica de filhotes humanos: enquanto não for adulto manere nas distâncias e na velocidade - e acima de tudo certifique-se de que o quadrúpede está se
divertindo. Raças gigantes eu sei que são um capítulo a parte, porque como crescem muito rápido tem que esperar mais para não sobrecarregar o cão com o peso até ele estar preparado. Já cães velhinhos, use o bom senso: se ele já corria antes, continue respeitando os novos limites. Se nunca correu, provavelmente não é o caso de começar agora.

3) Como faz para começar? Igual seres humanos começam. Primeiro andando, depois andando mais e mais rápido, depois alternando entre caminhada e trotinho até se sentir confortável para correr. Nada de pegar um cão que nunca correu e sair numa "soltadinha" de 3K. Vai ser demais para ele e pode ser bem desagradável, com direito a dor de barriga no meio do percurso, dores musculares depois e o pior, ele pode pegar um bode tremendo de correr. Outra coisa: se o cão não curte, desencane. Com certeza ele sabe melhor do que você o que é legal para ele mesmo. Correr com cães é o MÁXIMO só se eles estiverem adorando, senão vc está simplesmente torturando o bicho.

4) Tem que treinar algo específico? Repitam comigo: teeeeeeeeeem. Super tem. Tem que treinar o peludo a correr do seu lado sem atravessar seu caminho (o que pode levar a tombos feios), sem parar subitamente para cheirar aquele tufo de grama super interessante, sem decidir correr atrás do gato (vcs têm noção de QUANTOS gatos tem no Ibirapuera?), sem mudar de direção para tretar com outro cachorro e sem puxar a guia. Porque gente, precisa correr com o cão na guia. Não me venham com "ah, mas ele é tão mansinho" ou "nunca mordeu ninguém" ou ainda "sempre andou solto, não faz mal a uma mosca". A Mindy também é um cão educado, que obedece a comandos e é uma fofa sorridente, nunca atacou ninguém. Mas gente, cão é cão, não são criancinhas peludas. TODO cão pode morder, não importa o tamanho, raça ou se é um cuti-cuti em casa. E ninguém é obrigado a gostar de cães, especialmente do SEU cão. Ah, também desista daquelas guias gigantes, onde dá para o cão ir na esquina e voltar. Treine seu cão a correr do seu lado, no mesmo ritmo, sem paradas. Para a Mindoca eu ensinei o comando "Correr", que ela aprendeu que é diferente de passear. "Correr" significa que não pode parar para cheirar, nem interagir com outros seres e tem que ficar no mesmo ritmo que eu. Demorou uns 3 meses para ela aprender certinho, mas hj é uma maravilha. Agora claro, se vc tem um local onde dá para correr com o cão solto sem incomodar outras pessoas é sempre mais gostoso --e incomodar não é só quando o cão ataca alguém, correr em direção a pessoa, cheirá-la, tudo isso pode ser incômodo para alguém não ama cães como eu e você. Respeite.

5) Pit stops. Cão correndo significa que vc vai precisar fazer umas paradinhas. Ir ao banheiro é só uma delas (aliás, especialmente quando começar a correr com o cão leve o dobro de saquinhos e não seja no notion: não dê comida até 2h antes). Cães precisam beber água. Sério. Você talvez ache que pode aguentar um longão sem uma gota de líquido, mas o cão não pode. E não deve. Eu já cansei de arrumar confusão porque vejo na USP e no Ibira gente correndo com o cão resfolegando, babando, já meio espumando e nada de parar e dar água. Não é frescura gente, pensa que o cachorro só consegue transpirar pela língua, ou seja, essa é a única forma deles se refrescarem. E correndo o calor aumenta, se estiver sol ou se ele se superaquecer, só aquela respiração não dá conta. Dali para a desidratação é um passo - e desidratação pode matar o cão muito rápido. Então seguinte: começou a ofegar, babar ou espumar, para DJÁ. Eu costumo levar uma caramanhola, qualquer cão aprende rapidinho a tomar água dela e dá para reabastecer em qualquer lugar.

6) Horários. Isso devia ser óbvio, mas olhando nas ruas parece que não é. Gente, meio-dia com sol a pino NÂO È um bom horário para correr com seu cão, princialmente na cidade. O chão fica quente e o cão não usa tênis né? Por mais que tenha aquela almofadinha nas patas, ela não é de aço inoxidável. Aliás, correr e passear no sol forte não é bom nunca. Se o seu cão tem pelo escuro, como o meu, prefira as noites. Ou as manhãs bem manhãs. Quanto aos locais, se vc como eu gosta de cachorros tamanho G, não saia na Hora do Cachorro Pequeno, porque sempre vai ter um dono histérico agarrando um cão toy no colo só de ver vc chegar. Prefira a Hora do Cachorro Grande, que a noite acontece normalmente depois das 21h30. Claro que nem todos os donos de cães PP são assim e que tem muitos donos de cães GG sem noção da vida (e que estes sim, deveriam ser impedidos de se reproduzir). Mas para evitar o stress, ande com o cão na coleira, evite locais cheios de outros cães e seja feliz.

No fim das contas, dá para ver que se bom senso predominasse nessa vida, correr com cães ia ser muito mais fácil e divertido. Mas não é assim na vida real e eu vivo tendo vergonha alheia pelas coisas que vejo nos parques e ruas de Sampa. Donos que parecem aqueles treinadores nazistas da ginástica olímpica, que só deixam o cão parar se ele basicamente cair de exaustão. Gente que olha para o lado e assobia fingindo que não vê o cão fazendo aquele nº2 no meio da pista e nem pensa em recolher.

Pior que quem teve uma experiência ruim, passa a olhar feio todo mundo que corre com cães, viramos todos culpados antes que provem o contrário.Mas quem sabe a gente consegue reverter esse quadro né? Porque vale a pena. Afinal, eu sou uma fiel seguidora da máxima "cachorro cansado é cachorro feliz".
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Zona Azul da Morte


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 27/04/10 às 18:10 na(s) categoria(s) historias de corrida

Vamos voltar a um tema recorrente deste blog: Parque do Ibirapuera. Primeiro foi aquela coisa de ter de me acostumar a correr na penumbra com todos os perigos inerentes a esta prática (leiam este post aqui para entender). Aliás, para não faltar com a verdade, tenho que dizer que essa parte deu uma melhorada. Agora na volta de 1K só de vez em quando que está o breu total. E na volta de 3K, vc até consegue enxergar a maior parte das rachaduras e raízes de árvores que se sobrepõem ao asfalto!

Só tenho uma pergunta: gente, o que é aquele holofote cegante que fica atrás das barras de alongamento, ao lado de um dos estacionamentos de moto? Você está correndo e de repente parece que foi parar num cenário do Poltergeist, com aquela luz forte ali na frente te chamando. E nós sabemos o que aconteceu com a Carol Ann quando ela foi para a luz né?

Imagina que você está dando um tiro pra morte ali na volta de 1K e, como disse com muita precisão a Elenita, parece que a Nave Mãe veio te buscar, porque você corre desesperadamente de frente para aquele holofote gigante. Ou seja, para compensar as partes escuras do parque, agora a gente tem UMA super luz concentrada. Uma maravilha.

Mas estou fugindo do assunto. Meu ponto é que agora tenho uma nova fonte de terror: a nossa querida Zona Azul! Aquela coisa que faz com que as vias públicas virem grandes coletores de dinheiros e vasta fonte de trabalho para os marronzinhos (desculpa, mas não, não acho que seja um demérito ou pejorativo este apelido, ainda mais de alguém que corre numa assessoria que o povo costuma falar "ah, aquelas de pretinho?").

Eu acho que aqui em Sampa, a Zona Azul é um tipo de vírus, tipo aquele que transforma todo mundo em zumbi. Só que aqui ele transforma todos os lugares para estacionar em zonas azuis. Da morte. Morte para o seu bolso. Morte para sua paciência e paz de espírito. Porque agora os motoristas andam com olhos injetados procurando  furiosamente um lugar para estacionar. E em todo lugar que você olha tem AHHHH, Zona Azul.

Mas OK, para começar eu entendo porque colocaram a virótica Zona Azul no Ibira. É uma verdade que o povo que trabalha nas redondezas usava o estacionamento do parque como a garagem particular, estacionava as 8h e tirava o carro as 18h e nem punha o pé no parque. Então tá, a idéia era acabar com essa folga e permitir que mais pessoas que vinham realmente para o parque usassem o parque. Um ideal nobre, civilizatório e coberto de urbanidade.

Mas aí vem a pergunta de 1 milhão de dólares: se a idéia era impedir que o povo abusasse durante o horário comercial, por que raios a Zona Azul dali vai até as 20h? Porque depois das 18h30, quem vai lá é quem vai usar o parque. E 99,9% das assessorias têm treinos que começam, adivinha? Antes das 20h. Então, se vc chega as 19h30, tem que pagar quase 4 dinheirinhos por meia hora. E ainda tem que aguentar aquele cara meio assustador que fica abanando talões ensadencidamente na janela do seu carro na entrada do parque, murmurando algo que soa como "aceita jujubassss?" igual do Hey Arnold (não sabe o que é, Googla aí). Não bom.

Eu, que sou dotada de memória de elefante, lembro perfeitamente que quando entrou esse horário surreal as folhinhas de Zona Azul que eu tinha nem iam até as 20h! Gente, até as 20h não tem como ser uma estratégia de boa fé. E parece que tem uma instrução para os fiscais da vida alheia de pegar pesado exatamente as 19h20. É a hora em que esse povo sai de lanterninha da mão e capa de chuva se for preciso para ver se você por acaso não acabou de chegar para seu treino das 19h30 e não esqueceu ou achou que não precisava mais da folhinha. Eles também não aceitam que as pessoas esperem dentro do carro (com o carro ligado) por uma vaga ou para buscar alguém.

Espero que esse povo pelo menos ganhe bem, porque esse modus operandi leva as pessoas a terem uma antipatia (quando não um certo ressentimento) contra a classe. Eu sei, eu sei, o velho e bom "só estou cumprindo ordens". O que não refresca em nada o fato em si, de que você é obrigado a comprar um talão em um horário em que isso não faz o menor sentido.

E quais são as suas opções? Tentar uma vaga naquelas ruazinhas da IV Centenário ou adjacências, vir de bike, de moto ou a pé. De bike é lindo e ecológico, mas nem sempre é realista. De moto eu tenho saudades, desde que deu PT na minha tenho aqueles flashbacks românticos de filme B, em preto e branco, onde os bons momentos de eu e minha lambreta acontecem em câmera lenta e com música feliz. Mas no momento não rola. A pé eu amo, mas aí chegar até o parque já ia ser meu treino e eu ia precisar de carona para voltar para casa.

Ou seja, na prática a Zona Azul da morte acaba te pegando.

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Trilha, lama, água, terra e piramba: oba!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 31/03/10 às 16:51 na(s) categoria(s) historias de corrida
Sim pessoas, rolou este sábado a prova de Paranapiacaba. Para começar, o lugar é fofo (se vc for homem pode dizer que é pitoresco, antigo ou quiçá interessante que não vai te comprometer). Não é a coisa mais óbvia do mundo de achar, mas é bacana. Minha sorte que a Ari sabe-tudo-de-caminhos-por-dentro estava no mesmo carro e na navegação.

Na estrada, maior fog - vulgo neblina, mas vamos combinar que neblina tem zero glamour. Chegando lá, aquele nubladinho-com-microchuva-mas-calor-abafado que é super OK para correr na trilha. Eu adorei a cara estação-velha-de-trem do centrinho, deu um clima legal à prova, mesmo com as pessoas rindo e falando sem parar (eu incluída, lógico). A nossa trupe estava animada e contava com umas, sei lá, 15 ou 16 pessoas.

Na largada aquela microchuvinha que logo passou, mas deixou o povo com temor e receio de escorregar nas ruas de paralelepípedos (que vcs sabem que homens não têm medo, apenas temor e receio). Aí rapidinho caímos para a trilha. Single track, ou seja, uma trilha estreitinha e única, onde dava para correr bem apesar de estar bem escorregadia.

Alguns metros depois começou a sequência de lamão-rio-lamão-rio, que era tipo um trailer curtíssimo do Cruce sem as pirambas montanhosas e sem o frio. Porque gente, depois daquele frio patagônico com altimetrias com subidas de quase 1000 metros, Paranapiacaba é local aprazível e quase plano. 

Isso não quer dizer que a prova seja fácil! Ao contrário, foi BEM técnica e tinha o que é o meu atual calcanhar de Aquiles das provas de aventura: atravessar rios. Porque o meu caso é simplesmente o de um relacionamento vitoriano em fase inicial, ou seja, a gente se olha e parou por aí. Eu adoro os riozinhos, mas a triste verdade é que eu simplesmente não sei como faz para correr neles. Na prática fica um Pata Choca Style. Talvez porque eu seja uma mocinha da cidade grande que não passou a infância na fazenda? Ou será porque minha avó não gostava de cozinhar nem tinha um sítio? Ou ainda porque essa é a 2ª vez na vida que eu tenho que fazer isso? (o Cruce foi a 1ª até então corrida só no asfalto).

Seja como for, essa incapacidade crônica me fez subir o rio lennn-ta-mennnn-te. Tipo devagar. Bem sem pressa, sabe como é? Eu estava tão concentranda subindo e olhando para o chão, tentando pisar onde os moços da frente pisavam, que quase que fui seguindo o riozinho para sempre. Seguindo, seguiiiindo, seguiiiindo e ele continuava e ia cada vez mais para a direita. Só que gente, a trilha continuava lá em cima, a esquerda. Ou seja, tinha que sair do bendito rio e subir a ribanceira de volta. Ainda bem que a super Naomi gritou de algum lugar Naaaatiiii, sooobeeeeee, senão eu estava seguindo esse rio até agora, provavelmente já em algum outro país.

Para compensar, o jeito era socar a bota quando acabou o rio. Não chega a recuperar o preju, mas dá uma sensação agradável. Achei o visual excelente e o nivel da trilha ótimo! Agora, tem umas coisas que não dá para não comentar. Uma dela é a quantidade de pessoas sem tênis de trilha correndo. Gente, digitem 100 vezes no bloco de notas: tênis de trilha faz diferença, tênis de trilha faz diferença.

Eu sei, macho que é macho corre de chuteira. Ou descalço. Mas olha, o que tinha de macho perdendo tênis na lama e patinando em lugares que um Salomon da vida nem deslizava... Não é a mesma coisa, pessoas. Porque tem uma coisa mágica chamada grip, que impede que vc saia voando ao pisar na lama ou trilhas molhadas. Tenham fé no grip que ele te salva --de muita queda. Claro que tem também a sua técnica e experiência em correr nas trilhas, pedras e rios, mas desprezar um bom tênis de trilha é economizar no que importa.

Voltando para a prova, depois do perrengue veio o alívio, com a trilha um pouco mais larga e mais plana e na parte final, uma descidona daquelas de acelerar pra morte. Adoro prova que termina em descida! O Montanholi acabava e essa agora também, permitindo que vc se sinta O Máximo ao cruzar a linha de chegada, já que vc chega basicamente voando. Psicologicamente, vc sprintou bonito, mesmo que na verdade tenha sido só o impulso ladeira abaixo. E cabeça, vcs sabem, vale pelo menos uns 60% da sua performance em uma prova, especialmente se for de aventura.

Fazendo um balanço da prova, eu adorei largar as 16h - mas não sei se isso vai funcionar na medida em que esse circuito crescer (e vai) e tiver gente bem mais lenta. Porque nesse caso, esse povo vai chegar a noite mesmo e, na boa, aquela trilhinha sozinha no escuro dá meda (assim mesmo, no feminino).

Também senti falta do posto de água do KM 5, só vi no começo (tipo KM 2,5) e lá pelo KM 8 - e precisa avisar o simpático (mesmo, não é ironia) povo do apoio para oferecer sempre pelo menos 2 copos de água de uma vez, que oferecer de 1 em 1 não rende e atrasa os corredores.

De resto, corrida de aventura / cross country / trilha é assim mesmo. É mais rústica, tem mais perrengue, as vezes alguém se perde e tals. Ouvi falar que deu um xabú no percurso de 6K, parece que a marcação da trilha se soltou em umas partes ou algo assim e muita gente saiu frustrada. Tem que reclamar SIM, mas não vamos também transformar a malhação da organização num esporte nacional, especialmente quando é um circuito de
montanha, que é algo ainda não tão popular por aqui.

Vamos cobrar logística mas vamos curtir a prova e comparecer a outras etapas - até para dar oportunidade da prova ir melhorando. A próxima é em S. Sebastião / SP - quem vai??

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Estilos de corrida - qual o seu tipo?


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 17/03/10 às 17:38 na(s) categoria(s) historias de corrida

Este é um post que eu tenho vontade de fazer sempre que vou correr em um local com bastante gente, tipo Ibira no pré-verão quando todo mundo lembra da praia, do biquini, da sunga e da barriguinha de chopp. Vocês já reparam nos estilos no mínimo pitorescos que as pessoas vão desenvolvendo para correr?

Quando você não está dando tiro pra morte, dá tempo de observar e até de pensar nessas coisas. Não vou aqui me meter a julgar as posturas - até porque quando a gente vê o povo de elite correndo, tem váááários que vão entortando assustadoramente ou que têm uma mecânica de corrida que olhando parece bizarra -- até você ver que o cidadão ganhou a maratona tal.

Mas juntei aqui os estilos de corrida que mais vejo (me incluíndo aí no meio, lógico, senão fica só pimenta nos olhos do outros, que alguém sem noção disse que era refresco):

Tiranossauro Rex - quando a pessoa corre com os bracinhos encolhidos e grudadinhos no corpo, estilo Horácio. Me dá um nervoso, confesso, mas não parece incomodar nadica o resto do mundo.

Locomotiva - aquele ser que vc ouve chegando lááááá de longe pelo barulho, que super lembra um trem? Porque de repente aquele bufar e assoprar vai aumentando, aumentando AUMENTANDO até que o corredor chega e antes que vc se preocupe se o indivíduo está prestes a ter um piripaque ele já foi. Soltando fumaça e chiando.

Cartoon style - sabe aquele passinho miudinho de desenho animado onde parece que as pernas só se movimentam do joelho para baixo mas o personagem se locomove super rapidinho? Pois é. Tem muitas senhorinhas que usam esse passo. Você não dá nada e quando vai ver, está comendo poeira.

Passada 7 Léguas - para quem tem passada Quenia style, vulgo aquela passada enooooorme, que dá de 2 a 4 das minhas e faz vc, pobre mortal, se sentir correndo em câmera lenta.

Playmobil - lembra como é o bracinho do playmobil? Tipo duro? O braço mexe ao correr, mas só articula na altura do ombro, dali pra baixo do jeito que começou a correr fica. Essa sou eu - e quanto mais força eu faço, mais trava o braço. Hoje to tentando melhorar, que a Cris ensinou esses dias um lance de soltar o antebraço durante a corrida que está fazendo maravilhas. Quando eu pegar melhor o jeito explico aqui.

Enxaqueca - essa não é nem postura de corrida, é uma postura de vida mesmo. Vc está treinando calmamente, super na sua, e de repente surge aquela pessoa mal humorada, cheia de ódio no coração, que esbraveja, esbarra em vc de propósito, tem certeza absoluta que todo mundo tem obrigação de intuir para onde ela vai e abrir caminho e ainda faz um som de reprovação e algum comentário desagradável depois. Eu costumo sorrir e desejar mentalmente que o ser entre em combustão espontânea. Espontânea, ouviram? Pra eu não ter nada a ver com isso.

Indeciso - ah, este é o corredor que não tem certeza. De nada. Se vai passar pela esquerda ou pela direita. Se vai dar tiro ou só um trotinho. É aquele povo que quando vem na sua direção te obriga a fazer aquela dancinha ridícula de vou-passar-pela-direita-não-pela-esquerda-não-pela-direita-mesmo. Ou então que para abruptamente e quase faz vc quase sair voando. Sei lá, gente assim tinha que ser obrigada a usar seta.

Big Brother - sabe aquela pessoa que tem certeza que está num reality show e todo mundo está acompanhando cada movimento dela e fazendo comentários? Sim, é o moço meio Johnny Bravo que enche o peito, encolhe a barriga e dá um jeito dos músculos parecerem mais. Ou a moça que corre de um jeito para o cabelo balançar corretamente e usa roupas pensadas para parecer que ela tem barriga tanquinho e glúteos de aço. Aquela gente que sorri para o nada, ou melhor, para a platéia de telespectadores invisíveis que só eles sabem que existem. Ignorância às vezes é uma bênção mesmo.

Pé de chumbo - ah, esse vc sabe que está chegando pq vc ouve e se tiver mais de um, fica em dúvida se tem alguma diligência do velho oeste chegando. Pq parece a cavalaria passando, cada passo é o próprio Homem de Ferro treinando. Aliás, eu estou nesse grupo também e vou contar: é dureza mudar. Quando vc começa a cansar ou está num dia mais distraído o passo pesado volta e vc só se toca quando ouve um barulho estranho - oops, sou eu mezz!

Pé de algodão - quase um felino correndo, vc até toma susto pq não ouve a pessoa se aproximar. Normalmente é o povo que corre bem e bonito (pq lógico, quando vc não é pé de chumbo corre muito mais rápido) e ainda por cima acelera e faz parecer que é um passeio no parque.

E vcs? Que outros tipos já observaram?

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Cobertura Cruce


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 01/03/10 às 10:33 na(s) categoria(s) historias de corrida
Pessoas queridas que acompanharam os perrengues do Cruce comigo neste blog, aí vai um vídeo feito por uma das pessoas bacanas e divertidas do nosso mega grupo, com descrições narradas em 1ª mão pela pessoa que não só me abriu este mundo da corrida mas que me fez acreditar que qualquer meta maluca, como fazer o Cruce de los Andes, não só dava como ia ser divertido: Cris, nossa treinadora e amiga, que para variar arrasou  e levou, junto com o Manzan, o 1º lugar de duplas mistas do Cruce, a única bandeirinha brasileira no podio patagônico.







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Cruce parte final - Yes we can!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 17/02/10 às 20:19 na(s) categoria(s) historias de corrida
Pronto pessoas, juro que essa é a parte final desse relato, senão vcs vão ter que me abater a tiros. Aliás, vcs devem ter notado que o post anterior quase não tem fotos - isso porque no meio da desgraceira, na chuva, com seu cérebro parcialmente congelado, ninguém se arrisca a soltar um "que tal uma fotinho?", que era capaz de juntar uma matilha de corredores mal humorados e repolhar o autor da idéia (repolhar: aquilo que faziam com seu caderno de escola e que o deixava com cara de repolho, totalmente imprestável).

Mas ah, o 3º dia foi outra categoria de dia. Primeiro que de manhã parou de chover (exatamente como a previsão dos sites de esqui tinha dito, gente, acreditem na internet). Mesmo tendo que vestir uma outra peça de roupa úmida, a perspectiva de um solzinho já é outro papo. E olha que nós, refugiados do campo 1, mais conhecido como Acampamento do Vale da M*** (leiam post anterior para entender), tivemos que percorrer 5K para poder largar, já que a largada foi super estrategicamente posicionada no Refugiados 2. Ou seja, ao invés dos 37K prometidos para o dia, foram 42K, uma maratona na Patagônia, tudo o que vc queria depois de dois dias se acabando nas trilhas.

Ao chegar no acampamento amigo, de novo aquele enrolation para poder largar (desaquece tudo de novo, põe fleece, luva, gorro, a rotina das filas). A essa altura ninguém mais respeitava nada, a organização estava com moral zero e as pessoas só queria largar logo e pronto. Para não quebrar a rotinha, 2K da largada ela, a sua, a nossa... fila! Mas foi a única do dia e demorou só 40min, pois era uma ponte moderna onde podiam passar até 10 pessoas por vez, uma verdadeira multidão.

A partir dali, foi só alegria. Uns 22K de plano - e dessa vez era plano mesmo, e não aquilo que costumam chamar de plano da Patagônia. Só que, ao contrário de um trecho planão de cidade, não era nada monótono: era lindo e mudava completamente a cada 30 minutos. Primeiro vc corria por uma planície aberta, enorme, que se perdia no horizonte e tinhas tons terracota. Aí vc fazia uma curva e ia parar numa trilha pantanosa e cheia de arbustos, com vista para umas corredeiras verde esmeralda. Aí vc chegava num riozinho de águas transparentes e muitas pedras verdes (gente, tem MUITA pedra verde ali). Que vc tinha que atravessar, lógico. Dica: diga bem alto "ah, que bom, aproveito para fazer gelo nas pernas!" e vai com fé.

Aí vc passa por dentro de trilhas da Floresta Encantada, esperando encontrar animais míticos, elfos, orcs, hobbits e quiçá um pote de ouro sem duendes. Quando chega a subida vc já está tão em êxtase que conseguiu correr sem parar até ali que nem liga e sobe feliz e saltitante (tá, talvez só feliz).

Um hora vc chega numa ponte que é o próprio portal para a Terra Média de Tolkien. Sei lá, o 3º dia para mim foi tão bacana que eu estava a própria Pollyana Moça da corrida de aventura, achando que tudo tinha um lado bom e belo. Correndo e comendo pelas trilhas, com o sol marcando presença a ponto de colocar boné.

Aliás, uma parada para falar da alimentação no Cruce: se planeje bem que ela não vai te deixar na mão. Depois de várias experiências (comer de 1h em 1h, comer de 45min em 45min) no 3º dia nosso ponto de equilíbrio foi comer uma merrequinha de 30min em 30min. A dica é: OUÇA SEU CORPO, que ele sabe o que vc precisa a cada momento. Se vc prestar atenção, vai ver que uma hora ele pede salgado, outra hora doce, que as vezes só um gel passa e outras ele quer algo mais substancioso. Outra coisa que a Cris e a Vivi insistiram muito (para nossa sorte): não pare para comer, coma caminhando - pode ser devagar, mas não pare, que parar abre uma diferença de tempo GIGANTESCA da qual vc vai se arrepender depois.

Mais uma dica - super obrigada Zé - é, na hora que seria mais ou menos hora do almoço, coma algo com mais "sustância". No meu caso, uma bisnaguinha recheada de peanut butter. É, eu amo peanut butter, a de verdade, não aquela coisa cristalizada que vendem na maioria dos supermercados nacionais. Mas se vc não for alien como eu, pode comer a bisnaguinha com polenguinho (só lembre que o recheio vem na caixa e tem que ser algo que não estrague fora da geladeira, aliás nada do que vc trouxer).

Algumas coisas que levamos para comer:
  • castanhas salgadinhas
  • damascos secos
  • bananinha (que qualquer loja de bairro de doces vende)
  • gel (no nosso caso GU chocolate, devidamente dentro da garrafinha que não pode levar sachê na prova)
  • sanduiche c/ pão de fácil digestão (no nosso caso, achamos a bisnaguinha recheada perfeita)
  • barra de proteína (corte em uns 4 pedaços e vá comendo aos poucos senão não desce)
  • isotônico (no Cruce tinha Gatorade a vontade na largada e chegada, então dava para encher as garrafinhas)
  • sal
Ah, e deixe tudo isso nos bolsos laterais da mochila e nos bolsos, nada que vc tenha que parar ou abrir a mochila para pegar. E pessoas, não subestimem a alimentação, tem que comer mesmo se não sentir fome, que a prova acaba para muita gente por não comer e beber água direito.

Mas voltando ao dia 3: e então uma hora começou a ficar com cara de que estava chegando. Vc começa a ver pessoas caminhando com suas famílias. Pessoas com o abadá da prova batendo um pratão paradas no acostamento. Aí vc tem certeza de que chegou. Ainda bem que uma gentil alma feminina nos previniu: "está quase chegando, mas tem uma subida IMPORTANTE e aí chegou", ela disse. Quando uma corredora diz que a subida é importante, se prepara mermão. Que aí vem casca.

Dito e feito. Faltando tipo 2K para a chegada, tem um paredão que vcs não têm NOÇÂO. Daquele tipo que se vc ficar reto cai pra trás, sacumé? Imagina depois de tudo aquilo ainda ter que passar aquela coisa vertical. Tive muita dó de quem estava meio machucado e tinha se segurado até ali. Porque depois de subir o paredão tinha, óbvio, que descer o mesmo paredão do outro lado. Precisava MESMO gente?? Jura?

Mas OK, depois disso realmente era a chegada. E nessa hora as endorfinas bombam, vc chega num estado de euforia de dar inveja em personagem de desenho animado. Vc perdoa tudo, esquece o perrengue do dia 2, a chuva, o cansaço, o mundo é belo e vc conseguiu TERMINAR O CRUCE! É uma sensação sem igual e nessa hora ter uma dupla é tudo, porque é um momento uuhuuuuuuu que vc TEM que dividir com alguém. E eu dividi, com a minha dupla nota 1000, que resumiu nossa conquista de forma brilhante em uma frase Obama style que eu pego emprestado para batizar esse post: CRUCE: YES WE CAN!

Eu adoraria terminar o relato aqui. Porque seria o ponto final lindo. Só que não foi bem assim. Porque passada a chegada, tiradas as fotos, dados os gritos de vitória, tinha a parte da emigração. E começou a chover. Resultado: vc tinha que ficar na chuva enquanto o povo examinava, assinava e carimbava LEN-TA-MEN-TE seu passaporte. Eles não pareciam se importar de ficar na chuva, nem de deixar a tinta escorrer pelos documentos, mas eles não tinham fechado 100K (porque os 90K originais com os adendos viraram 100K) em 3 dias.

Mas OK, passou essa etapa. Aí vc tinha que andar (numa subida) até o local onde iam te levar de volta para o hotel quentinho para vc tomar um banho quente e gostoso e comemorar com seus amigos. Seria a chave de ouro do evento. Mas isso se as vans tivessem vindo nos buscar. Porque sabe quanto tempo tivemos que esperar NA CHUVA, ACABADOS, CANSADOS, NO FRIO? Duas horas. MAIS DE DUAS HORAS! Gente, é muito! Porque nessa hora sua resistência acabou. Mesmo trocando de roupa seu tênis tá encharcado, continua a chover, não tem onde se abrigar e a droga da van não vem - e vc sabe que a volta é um percurso de MAIS de 2h.

Isso foi a falha que considero realmente imperdoável da organização. Porque eles SABIAM quantas pessoas estavam inscritas, logo sabiam quantas vans iam precisar. E olha que teve um monte de desistências einh? Essa logística não tem desculpas. Porque sabe tudo aquilo que eu falei da alegria de terminar, da euforia onde vc começa a planejar voltar ano que vem, do momento em que vc perdoa tudo? Pois é, ele só vale até aquele momento em que vc termina. Pisar no tomate depois disso é estragar a experiência do cliente, e logo num momento em que ele estava disposto a esquecer erros passados e começar a se programar para a próxima.

Passamos tanto frio que foi ali que usamos nossos cobertores térmicos de sobrevivência: na espera da van. Ridículo né? O pior foi chegar ao hotel as 23h30, não ter mais restaurante aberto e vc ter que jantar batata e atum em lata no quarto do hotel. Ah sim, e seu avião sai no dia seguinte de manhã e vc tem que tirar suas coisas da caixa. Que está lá abandonada, sem nenhum controle, no mesmo campinho. Não tinha ninguém da organização lá nem as 11h da noite nem no outro dia de manhã quando pegamos nossas coisas. Se alguém quisesse arrombar sua caixa e levar tudo, beleza, não ia ter ninguém para ver ou impedir.

Uma pena isso, porque o final da parada deu uma azedada - mas não o suficiente para tirar o gostinho de vitória que eu sou uma pessoa zen, né? E com amigos de prova como os nossos - daqueles que comem palhacitos de manhã e fazem vc rir o resto do dia- nenhum perrengue é intransponível.

Pesando tudo, se vale a pena? VALE! Vale MUITO. Porque a adversidade faz parte, tem muita coisa ali que não tem como controlar, outras que foram falhas gravíssimas de organização, mas o prazer da prova é só seu, ninguém tasca!

Então pense nisso antes de desistir. A Cris falou bastante com a gente sobre o preço de desistir de uma prova e vou guardar isso pra sempre, porque é muito verdade: se vc tiver se machucado de verdade é uma coisa. Aí parar é uma questão de responsabilidade, tem que parar SIM. Agora se vc está sentindo uma dor que sabe que não é de lesão, se vc está cansado, quebrou na subida, não aguenta mais chuva, perrengue, dor muscular, cansaço, fila e erros da organização, não para não. Senão vc vai sempre ficar com aquela dúvida: e se? E se eu tivesse terminado? Será que dava? Será que não dava? Como seria? É um preço alto a pagar. E o ganho de terminar é gigantesco. Vc se sente gigante. Vc vira gigante. Porque vc conseguiu, não importa em que condições nem em quanto tempo. Yes, you can :-)

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Cruce parte III - O Vale da M....


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 16/02/10 às 16:39 na(s) categoria(s) historias de corrida
Dia 2 do Cruce, o grande divisor de águas da prova. Porque qualquer pessoa que tivesse tido o trabalho de acompanhar online as previsões das estaçoes de esqui mais próximas (fica aqui a dica) sabia que no sábado ia chover. E muito.

Isso ficou claro já na noite de sexta, quando a água começou a castigar as barracas de madrugada. Como a nossa era alugada, no melhor estilo é-o-que-tem-para-hoje, havia o inquietante risco dela nao aguentar chuva forte. Já havia até um plano B de para quais barracas a gente ia correr se a danada alagasse. Que reconfortante, nao? Mas eu dormi tão pesado - apesar do ronco estilo Globo da Morte de Certa Pessoa que negou ser autor de tão doce melodia depois - que só fui me preocupar com isso pela manhã, ou seja, a barraca resistiu firme e forte.

A complicaçao começou com a largada, que ficou sendo muito, mas MUITO mais tarde do que eu pensava: quase 10h. Na boa, quem não é elite e não termina a prova em 3h não deveria ter que largar depois das 8h, pq chega muito tarde. E NUNCA consegue pegar o almoço pelo qual pagou, então fica a dica: pessoas não-elite, pensem bem antes de gastar seus dolarzinhos suados reservando os almoços, porque nós nao vimos nem a cor dessa refeição, poderíamos ter pago só o jantar e ter gasto o resto com chocolate e vinho que teria sido muito mais bem pago.

Largar na chuva nunca é bom. Largar na chuva, no frio e sabendo que ia pegar fila e a pior pirambeira da prova é infinitamente pior. Mas vambora que faz parte. Já no comecinho, adivinha? Acertou, fila de novo. Dessa vez pq a trilha estava um lamão e o povo passava devagar, tateando bastante antes de decidir onde passar, com medo de escorregar logo no comecinho da prova. Anota aí, mais 50min de piadas e gritaria do nosso grupo, só que debaixo de chuva. Um mimo.

Daí pra frente só foi piorando, como esperado. Mesmo fazendo um percurso alternativo - o que foi um ponto positivo nesse dia péssimo- porque o principal ia ficar inviável na chuva, foi uma subida só. Nesse dia eu conheci o trekking pool, aquele bastão moderninho de caminhada. Olha, tenho que confessar: não nos demos muito bem.

No começo, como em todo relaconamento, eram tudo flores. Ele me salvou de morrer afundada na lama movediça das encostas encharcadas, evitou que eu escorregasse e basicamente foi essencial para esses trechos lamacentos. Mas aí a lama diminuiu, a subida ficou mais íngreme e nossa relação começou a ficar desgastada. Eu juro que nao consegui me acertar com ele. Porque meu jeito de subir ladeira da morte pressupoe uma certa mecanica, com as maos se movendo no mesmo ritmo que as pernas e ajudando na subida, estilo curvada-para-frente-mao-no-músculo-da-coxa-a-cada-passada, sabe como é? Pois com o danado do trekking pool nao dá para fazer isso, seus braços tem que seguir um ritmo bem diferente das pernas e nao podem encostar nas pernas. 

Teoricamente eu deveria estar distribuindo meu peso com o 3º apoio e fazendo menos força para subir, como as pessoas afortunadas que sabiam o usar o bastão infernal. Não foi o meu caso, me senti fazendo o dobro da força que normalmente faria, me sentia desengonçada, simplesmente não conseguia subir. Tipo péssimo.

Minha sábia dupla, habilidosa e faceira com seu trekking pool que só, não estava acreditando na minha dficuldade. Quero dizer, não que ela duvidasse de mim, é que parecia bizarro demais para ser só um problema de relacionamento com um objeto inanimado. Ela me garante que era algo mais que isso, mas juro, eu não estava me sentindo mal, nem fraca, nem com dor. Eu só não conseguia subir como uma pessoa normal, estava mais para zumbi escalador, sabe aquele andar lento e desengonçado de quem já morreu e esqueceram de avisar? Era eu.

Mas uma hora eu consegui começar a ignorar aquele equipamento desconcertante e voltar a acelerar. Tá, eu basicamente comecei a parar de usá-lo, até que a lama acabou ao ponto de eu poder devolve-lo. Um dia quem sabe revemos nosso relacionamento, quando eu superar meu bode e fizer as coisas direito, ou seja, treinando com ele antes para pegar o jeito como fizeram as pessoas mais espertas.

Enquanto isso, a trilha seguia rumo ao céu. O lugar mais lindo do dia para mim, disparado, foi a Trilha do Abismo, um caminho estreito tão no alto que vc corria acima das nuvens. PÁRA TUDO E IMAGINA: vc correndo e do seu lado direito a encosta da montanha e do lado esquerdo um abismo, com as nuvens paradas ABAIXO de vc. Inesquecível.

As coisas complicaram quando começamos a nos aproximar do fim. A chuva apertou muito e mesmo um bom impermeável uma hora joga a toalha, pq vc já cozinhou por dentro e pq esse entra e sai dos rios gelados + o temporal já conseguiu te encharcar até a alma. Aí nós fizemos algo que vcs nunca devem fazer: perguntar a alguém da oranizaçao quanto fatava para a chegada. O carra disse com muita convicção: un quilometro e medio. BELEZA! Mamão no açucar, estamos chegando, nem precisa mais comer. Acreditou? Dançou playboy. Faltavam mais de 5K. O que é ridículo no Ibirapuera, mas é uma vida no final do pior dia do Cruce.

Teve uma hora que comecei a correr de puro desespero. Tremia tanto de frio que achei que ia congelar ali mesmo e um dia, no futuro distante, iam me achar presa dento do bloco de gelo, tipo vejam a anta pré-histórica que acreditou na información do cabrón.

Aí vc finalmente chega e descobre que algo mais deu errado. Mais da metade das caixas, os banheiros e coisas do camping não chegaram nem vão chegar. Com a chuva uma ponte quebrou e só alguns caminhões conseguiram passar. Então, se sua caixa está lá, vc fica ali mesmo, se não, entra num caminhão de campo de concentração, anda 500m, desce dele e anda mais 5K até o acampamento 2, passando por um rio geladésimo.

Acharam péssimo ir até o acampamento 2? Isso porque vcs não ficaram no acampamento 1 como eu. Por que esse acampamento ficava num lugar batizado de.. Vale da Merda. Aliás, antes que alguém reclame, este é um blog fino e de família, que não usa de palavras de baixo calão. O termo, neste caso, é apenas a descrição literal da verdade. Quase um termo técnico. Porque o chão desse acampamento era feito de.. bem, não tem um jeito delicado de dizer, excremento de vaca. Nao estou exagerando, nao dava para ver nem um pedacinho de grama molhada ali, era esterco puro. E os lugares que não estavam assim digamos, decorados, estavam alagados.

Daí vem a pior tarefa da noite: montar a barraca na chuva, no cocô, tremendo de frio, encharcada e a um passo da hipotermia (pelo menos era essa a sensaçao). Nosso amigo francês de alma bondosa que se dispôs a ajudar a montar a barraca deve ter ficado impressionado, no pior sentido possível. Já sentiram o cérebro congelar? É assim: alguem te fala "pega aquela estaca ali" e seu cérebro fala "estaca? o que é uma estaca?" e durante esse processo vc fica imobilizada, tremendo, com cara de ã, tipo protetor de tela com janelas Windows voando. As pessoas falam com vc e na sua expressão as janelas continuam voando. Aí quando vc consegue processar a informação e pega a tal estaca, não consegue colocá-la onde devia, pq seus dedos estão duros de frio e vc treme tanto que erra o alvo diversas vezes. Uma delícia, especialmente se vc lembrar que vc PAGOU para ter essa experiância. Palmas para vc. Gênio.

Aí vc entra catatônica na barraca, se troca e o cérebro começa a descongelar, junto com as roupas quentinhas. Nao fica ótimo, pq afinal nao pára de chover, vc está literalmente na merda, seu abadá está encharcado, assim como a mochila, impermeável, luvas e manguito. E vc vai ter que usá-los no dia seguinte. Oba!

Somando isso ao fato de que no Campo de Refugiados 1 (o nosso) não teve banheiro, a comida chegou as 20h, tudo na barraca estava úmido e nao tinha ninguém da organizaçao p/ vc se informar, nao foi assim um final de dia gostoso. E consta que o povo do Refugiados 2 foi quem se rebelou, dizem que houve gritaria, palavras de baixo calão, pitís e muitas muitas desistências, já que a organizaçao estava toda lá. E olha que no camping deles tinha até banheiro, alem do chão ser de grama com apenas eventuais presentinhos das vacas aqui e ali. Tem gente que era feliz e não sabia.

Eu entendo o povo que desistiu. Dava vontade mesmo. Quem tinha ido no clima um-passeio-mais-longo-entre-lindas-paisagens viu a casa cair. Mas por outro lado, na montanha CHOVE, gente. Pontes caem. O que pegou foi a falta de informação nos campings e um preparo mehorzinho para a chuva, já que sabendo que ia cair o mundo podiam ter pensado pelo menos numas loninhas de cobertura e numa logística de largada melhor.

Mas afinal, depois de dormir no Vale da M**** vc acha que a gente ia desistir? ÓBVIO QUE NÃO, NÉ? Porque a lógica diz que piorar não podia, entao o dia 3 só podia ser ótimo. E foi!


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Cruce parte II - Permiso! Permiso!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 12/02/10 às 12:16 na(s) categoria(s) historias de corrida
Eu sei, eu devia ter postado isso ontem, mas me deem um descontinho que eu ainda estou meio slow motion, sabe aquela tirinha do Calvin quando ele era atacado pela câmera lenta e só conseguia fazer as coisas leeennnnnntaaaaaamennnnnttttte? Pois é, me pegou também. Mas senta que lá vem a história. Cruce de los Anes 2010, dia 1.

Primeiro a dúvida cruel: afinal, larga cedo, médio ou tarde? Porque tem mais de 1h de busão para chegar até a largada. Super cedo dava medo de ter que ficar horas esperando a elite largar. Muito tarde vc pega todos os caminhantes. E o seu tempo no 1º dia vai definir o horário de largada dos próximos. Tentamos o meio termo, mas na prática ficou tarde e acabamos pegando muito trânsito de pessoas. Conclusão: larga cedo e se tiver que esperar, espera lá.

Na largada, muita emoção, WOW COMEÇOOOOOU! Trilha adentro, logo começa a pirambeira. Só que uma prova de aventura com 1.500 pessoas tem suas desvantagens: faz fila. Isso mesmo, vc acha que deixou Sampa para trás com suas filas para tudo e ali, em plena Patagônia, adivinha: uma fila! Que delícia. E nos trechos de trilhas estreitas, nem tem como ultrapassar ninguém, ou seja, vc tem que esperar quem for mais lento conseguir subir ou atravessar um trecho mais difícil.

Aliás, a ultrapassagem merce um comentário a parte. Todo mundo que fez o Cruce aprendeu que para passar alguém é assim: vc grita "Permiso! Permiso! Por la esquerda! Por la esquerda!" e sai cotovelando e se enfiando na frente que quem for. O primeiro que me passou desse jeito delicado como um hipopótimo com dor de dente quase me joga montanha abaixo, um exemplo de urbanidade. E tem também as pessoas que não te dão o tal permisso nem que a vaca tussa, bata palmas e cante Aída. Tipo de picuinha mesmo, abrem bem os braços, colocam seus trekking pools em posição de ataque (aquela que se vc tentar passar de qualquer um dos lados vira literlamente espetinho) e brincam de surdinhos, mesmo quando dava para passar uma pessoa de cada lado com folga.

Mas enfim, vc aprende que gritar "Permiso! Permiso!" é a senha para sai-da-frente-senão-eu-passo-por-cima. Claro que também tem muita gente educadinha que fala "Permiso!" sem trincar de dentes nem olhos injetados e que percebe que em alguns lugares não tem como dar passagem, porque só passa um, espera a 1ª abertura e ainda solta um gentil "Gracias!" quando consegue passar. E vc que achava que a aventura da corrida de aventura era só porque não era asfalto né?

O grande mico do 1º dia foi também a grande beleza. O mico leão dourado premium desse dia 1 foi ela, a fila. Imagina que vc está aquecido, finalmente passou aquele bolão de caminhantes e pessoas mais lentas que vc, trotando feliz e contente pela Patagônia adentro quando de repente... vc pára. E vê na sua frente uma fila de umas 80 pessoas. Todas paradas e pelo jeito há um tempo. É tipo estar a 110KM na estrada e de repente surge aquela fila do pedágio.

E sabe por que a fila? Porque tinha uma ponte láááá na frente onde só se podia passar de 2 em 2. Façam as contas, 750 duplas (tirando o povo de elite que era, sei lá, chutando umas 100 pessoas) tendo que passar civilizadamente em duplinhas - e a próxima dupla só passa depois que a primeira pisar o último pé fora da ponte. É ÓBVIO que ia empirulitar o trânsito né? Claro que são normas de segurança e precisam ser seguidas, mas valia um fracionamento melhor de quantidade de pessoas largando para não embolar desse jeito né não? Pisada no tomate da organização. E chuta quanto tempo a gente ficou nessa fila? 1h30. É, leu certo, uma-hora-e-meia.

Deu tempo de comer, esfriar completamente, vestir o fleece, luvas e gorro, fazer amizade com todo mundo próximo a vc na fila, contar piadas biligues e trilingues, fazer xixi no matinho, sentar no chão de pernas cruzadas, passar umas 3 ondas de ÔLA pela fila, tirar tudo de novo e guardar na mochila.

Só que quando chegou nossa vez de passar na ponte, ficamos até sem fala. Pessoas, que visual era aquele?? Foi de longe o ponto mais lindo do dia. Porque debaixo dessa ponte passava un rio caldaloso verde esmeralda com uma queda d´água majestosa logo acima que juro, era de tirar o fôlego e perdoar na hora o tempo de espera.

O duro é voltar a correr depois que vc já esfriou totalmente. Mas enfim, faz parte e continuamos. O percurso desse dia era assim: piramba, descidinha, piramba, descidinha, alguns metros de planinho, outra piramba. No meu caso isso signifcou anda-corre-anda-corre, o que eu gostei.

Mas quando vc achava que toda essa coisa de fila estava no passado, aconteceu de novo. Parou tudo. Isso porque dessa vez a promessa era que seríamos levados de barco para atravessar um trecho do lago lindo (de onde vc já ouvia os sons de pessoas felizes que chegaram muuuuito antes de vc ao acampamento, tipo aquele trecho da meia do RJ onde vc passa pela chegada no aterro do Flamengo). Ah, ok, vamos passear de lancha, uhuuu! Daí, uns 40min depois, novo aviso: gente, cancelamos os barcos! Tá demorando muito e ficou decidido que vcs vão fazer esse trecho a pé.

Traduzindo: vai andar 4K a mais que o resto e ainda voltar boa parte do trecho e contornar o lago, pegando, lógico, subidas. Teve gente que chorou ali. Eu só fiquei com um mau humor do cão e saí correndo e fazendo cara de serial killer para qq pessoa de fleece vermelho da organização. No final, a parte ruim dessas esperas todas é que a fila foi um grande unificador de tempos. Se vc saiu mais forte, no final chegou quase junto com quem estava bem mais fraco, pq a fila aproximou todo mundo. Que democrático né?

A chegada no acampamento, porém, foi o máximo. O camping era num vale lindo, cercado de montanhas de picos nevados, as ruazinhas coloridas todas organizadinhas (porque cada container tinha uma cor, que correspondia a uma rua onde vc tinha que montar sua barraca). Nós, pessoas privilegiadas que temos gente do calibre da Cris, Zé, Belô, Camila, Vivi, Marcela, Laurent & Cia nos ajudando já estávamos com as caixas ali. Aí era montar a barraca (seguindo instruções, lógico, senão estava até hoje lá olhando para as estacas com ar perdido), tomar aquele banhão de baby wipes, trocar de roupa (2ª pele + fleece grosso + blusão impermeável + calça+ meia quente + croc no pé), pegar seu pratinho e talheres e rumar para a tenda da comida. Que aliás, estava ótima! Comi super bem, disso não posso me queixar. Tinha massa, carne p/ os carnívoroes (que falaram que estava excelente), sopa e até salada.

Pança cheia, o lance era deixar tudo pronto para o dia seguinte, pegar o saquinho com as roupas já prontas do dia 2 (que nós somos mocinhas organizadas e prevenidas), separar as comidas para durante a prova, o café da manhã, tomar uns goles de vinho e apagar. Se eu dormi? Não, eu praticamente morri e ressuscitei no dia seguinte. Que foi onde toda a desgraceira começou - mas isso é para o próximo post.

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Cruce parte I - chegar é 1 aventura


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 10/02/10 às 13:31 na(s) categoria(s) historias de corrida
Pessoas, estoy de vuelta del Cruce! Pelo título, vcs já notaram que essa prova vai render váááários posts, então quem já está com sono desde já melhor ir assistir maratona Agente 86 ou algo assim. Para resumir e acabar com o suspense principal, sim, a prova é O Máximo. E sim, é casca. Vc passa uns perrengues que jura que nunca-mais-na-minha-vida-entro-numa-roubada-dessas e depois que acaba já começa a planejar a próxima e acha tudo lindo, até o congelamento cerebral que vc sofreu depois de passar horas na chuva gelada.

Mas estou me adiantando. Como toda boa história, essa começa com uma jornada. Nada complexo, teoricamente só pegar avião para Buenos Aires, dali para Bariloche e dali o transfer para Cerro Catedral. Longo mas simples né? Seria se as bagagens viajassem junto com vc.

Porque a nossa aventura começou mesmo no aeroporto de Bariloche, depois de 2 voos tão lotados de equipes brasileiras conhecidas que super parecia aquela excursão de busão da 6ª série. Com direito a pessoas gritando, zilhões de piadinhas infames, gente atirando bolinha de papel em quem dormia, pessoas dando olhares de reprovação e um clima de alegria geral. Que lindo.

Em Buenos aquele verão ameno, uns 24°C. Todo mundo de bracitos de fora, alguns shorts, muita descontração. Aí chegamos em Bariloche e o piloto avisou: temperatura local 8°C. E baixando. Nossa dupla, previnida e control freak que só, já estava de botas do Gato de Botas e uma jaqueta bem quente na bagagem de mão. Ótimo, pensamos em tudo. Em tudo menos na possibilidade das suas malas não chegarem.

Na esteira do aeropuerto de Bariloche, uma coisa estranha. Um mocinho não parava de tirar malas da esteira e acumular numa pilha cada vez maior no canto. De quem seriam? E por que as nossas não chegavam? Meia hora mais tarde, depois que apenas uns 30% das pessoas do voo tinham conseguido resgatar metade de suas malas, um aviso singelo: gente, as malas de vcs não vieram nesse voo! Era muito peso e como já estávamos trazendo as bagagens do voo de ontem, que também não chegaram junto com seus donos, não deu para trazer as de vcs, foi mal. Amanhã a gente manda pro hotel, beijo tchau.

Simples assim, não adianta chorar, reclamar, gritar, dar pití. Hoje não tem mais voo Buenos-Bariloche e só amanhã as 10h chega um novo. Para mostrar o quanto vcs são importantes, nós mandamos entregar no hotel e that´s it.

Aí teve aquela cena do povo de blusa de alcinha tiritando de frio e gente que tinha trazido a bike sentindo aquele frio no estômago porque a bike superequipada estava perdida em algum lugar entre Buenos e Bariloche. Aliás, tenha MEDO, muito medo desse aeroporto. Coisas ruins acontecem ali. Suas malas somem e quando aparecem parece que uns 150 anões de Minas Morgul tentaram escavar diamantes com picaretas da sua bagagem - e conseguiram, porque vem faltando umas partes.

Mas como eu sou uma pessoa zen, fui para o hotel curtir o friozito, que aliás estava ótimo. O hotel era bacanito, com cara de casinha do Papai Noel e um visual estonteante da janela. No dia seguinte, hora de pegar o kit Cruce.

Nesse quesito, nota 10 para a organização: vc andava por um shoppingzinho passando por vários estandes e recolhendo coisas na sacola, tipo um videogame. E olha só quanta coisa: fleece, chip, pratos, talheres, copo, canecas térmicas, garrafinha, barrinha, chá mate, chocolates, toalha, bandana e, claro, o abadá. Abadá é como batizamos a camiseta da prova, pq afinal de contas como chama a vestimenta obrigatória para participar de um evento coletivo? Abadá gente, lógico. Que era até personalizado com seu nombre e bandeira do seu país, um luxo. Só mais tarde é que a gente lamentou que fosse só 1 abadá. Porque pensa, é para usar o mesmo nos 3 dias né? Cheirosinho que só.

Um toque muito bacana foi ter a bandeirinha para poder colocar na sua mochila. As nossas fizeram o maior sucesso, super detalhe legal. Depois disso o jeito foi passear em Bariloche, já que as malas não tinham dado o ar da graça. Super chato, uma cidade fofa, com várias ruas infestadas de lojas compráveis, lugarzinhos simpáticos para comer e beber e muito chocolate. Um inferno. Nem tem do que ficar reclamando.

Aí na volta, começa a corrida: pegar as malas voando, separar tuuuuudo para o seu container, levar as coisas até ele (que ficava lááááá embaixo, num campo), fazer tudo caber, fechar, entregar e pronto. Graças aos deuses que ainda existem cavalheiros nesse mundo, senão nossa dupla de mocinhas finas de família teria penado com aquele monte de coisas desengonçadas sendo levadas rampas e escadas abaixo até o tal local das caixas.

No dia seguinte, o momento mais esperado de todos, após um traslado de 1h: a largada. Aliás, um toque: largue cedo. Não tão cedo que vc atrapalhe a elite, mas não tão tarde que vc pegue a massa de caminhantes e pene horas para ultrapassá-la em trilha estreitas.

Descobertas iniciais, anote no seu check list:
  • arrume um manguito, que foi o equipamento categoria revelação da prova; em um clima esquizofrênico como o da Patagônia, que uma hora congela e outra faz sol, não dá para ficar parando vestindo e tirando roupa
  • bandana é tudo de bom, leve a sua (ou use a da prova), evita o suor, protege suas orelhas do vento gelado, segura a onda do cabelo e tem mais umas 1001 utilidades, igual aquele produto
  • tênis p/ trilha é essencial. Parece redundância dizer isso, mas não é. Não ache que o seu tênis de treino no parque serve. Não serve. O grip é tudo nessa vida quando vc precisa subir uma montanha lamacenta. Ah, e leve o 2º par para a prova também. E, precisa sim. (se vc for elite isso não vale para vc, que provavelmente consegue correr perfeitamente até de papete e deve estar achando esse post um tédio)
  • calça ou bermuda com bolso. Sim pessoas, faz diferença o tal bolso, não é frescurite. Pq tudo o que vc não quer é ter que mexer na mochila, então todas as comidas e acessórios que vc for usar durante a prova têm que estar a mão, nos bolsos que ficam no fecho da frente da sua mochila (tipo na sua barriga) e nos bolsos da calça.
  • Óculos. Essa não é unanimidade, mas se vc é como eu e adora um óculos escuro, leve aquele de lente rosa ou vermelha, não vai se arrepender
  • Meia de compressão. Se vc tem, leve, aqui ela faz uma diferença. Se não tem, não vai morrer por isso, não se estresse.
  • Impermeável. Não vá para a Patagônia sem ele. Certifique-se de que ele é impermeável MESMO e não vai te deixar na mão se vc tiver que correr na chuva forte por horas, porque provavelmente vc vai ter que.
  • Luvas. essa também é só para quem tem frio nas mãos como eu. Foi minha salvação e ficava no bolso da calça. Congelou, veste um pouco. Esquentou, taca no bolso.
  • Hipoglós: não saia sem deixar seu pé realmente besuntado nele. Nada de passar de levinho e deixar absorver, é para deixar melequento e nojento e tacar a meia por cima. Vale a pena gente, terminamos o Cruce sem uma bolhazinha sequer, o pé cansado mas inteirão.
  • Meias: tecnológicas, tipo dry fit ou similar, nada de meia de algodão.
  • Camiseta dry fit: leve para por debaixo do abadá, senão vc não aguenta o futum de correr 3 dias com ele e nem sempre dá para lavar e secar (no nosso caso isso nem foi cogitado pelo timing das coisas).
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Doe seu presente do ano passado


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 28/01/10 às 19:08 na(s) categoria(s) historias de corrida
Você já ouviu falar que corrida é um esporte super econômico que não precisa de equipamento nenhum, basta um tênis e sair correndo, né? Então você também sabe que isso é uma cascata deslavada. Porque sair correndo de All Star não é exatamente uma boa idéia, apesar de que, dependendo do modelo, pode até ficar fashion.
Então começa a somar na maquininha: tênis de corrida. E isso não vai te custar R$50. Vamos dizer que você conseguiu uma super promo e comprou um modelo-ano-passado por R$200. Aí você vai querer ter um mínimo de controle do seu treino, ou seja, precisa de um relógio com cronômetro - ou, se você estiver podendo, um desses Amigos Eletrônicos que marcam seu pace, calorias queimada, passadas, velocidade, distância, frequência cardíaca, têm GPS, deixam subir seus treinos para o site, syncam com ipod e ainda elogiam sua performance incrível. Mesmo se você comprar um relógio genérico, ou "Mickey", como minha amiga Ceci diz, vai sair, sei lá, uns R$50. Se for um relógio bacanudo, pode colocar uns R$ 1.500 fácil.

Aí ainda tem que ter meia, boné, óculos escuros, protetor solar, camiseta, shorts, top se vc for mulher.. Enfim, na soma final não sai tão grátis assim.

Com essa continha em mente, olhe para seu armário. Aposto que tem tênis de corrida que você não usa mais. Aliás, aposto que tem VÁRIAS coisas que você não usa mais. Sabe aquele tocador de MP3 que vc aposentou? O celular velho (ups, VINTAGE) que está desmaiado na gaveta? O computador que foi trocado por uma engenhoca mais rápida? Pois é.

Então vamos combinar: ganhou ou comprou algo novo? Doe seu presente do ano passado. Ou retrasado. Ou da semana passada mesmo. Que tal entrar numa corrente do bem e reciclar, passando para outras pessoas? Por exemplo, este post é reciclado , seguindo uma iniciativa bacana da rede Ecoblogs. Vamos somar esforços? Vaaa-mooooossss (isso vocês respondem em estilo jogral, pessoas bacanas).

Então aí vão algumas sugestões de para onde enviar suas doações:

Seu tênis pode ir para:
Seu celular, computador, impressora, cabos, videogame e coisas tech podem ir para:
  • Comitê para Democratização da Informática CDI –  cuja missão é transformar vidas e f ortalecer comunidades de baixa renda através da capacitação nas tecnologias da informação e comunicação e de um aprendizado complementar voltado à prática da cidadania e do empreendedorismo
  • Liga Solidária - faz manutenção e triagem para que a doação seja encaminhada às unidades sociais que estiverem precisando do material doado.
  • Museu do computador - os equipamentos são revisados e reformados, para seguirem para exposição no Museu do Computador. Já software e publicações relacionadas à informática são destinados à biblioteca do museu, ficando disponíveis para consulta dos visitantes.
-- veja mais opções AQUI  ---












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Agora que passou a São Silvestre...


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 15/01/10 às 12:43 na(s) categoria(s) historias de corrida
... acho que dá para fazermos algumas considerações sem o calor do momento. Não, esse ano não corri, porque como vcs já sabem, estava subindo ladeiras em Atibaia. Mas quando corri, tenho que confessar que adorei (tem um pouco disso aqui nesse post).

Adorei o astral, as pessoas fantasiadas, a forma de comemorar o encerramento de um ano e o percurso. Como já falei, não foi nem a mais fácil, nem a mais difícil, nem a mais bonita das provas que já corri, mas com certeza foi a mais *divertida*. Isso APESAR do bafo quente que sai do asfalto e da quantidade de gente que te faz sentir que nem naqueles metrôs japoneses na hora do rush, onde tem funcionários que empurram as pessoas para dentro do vagão para caber mais gente.

Independente disso, assistir a São Silvestre é algo que eu faço questão de fazer. Faz parte dos rituais de reveillon. Tem gente que pula ondinha, come semente e vira o derriére para a lua --assistir à São Silvestre faz parte desse sincretismo, assim como usar roupas de cores específicas ou essa maledeta mania de soltar rojões (quem tem cães que piram com o barulho me entende, tenho certeza).

Para mim, essa corrida tem ligações afetivas, já que é também o dia do aniversário do meu pai e, quando eu era jovem e inocente e a São Silvestre era a meia-noite, assistíamos a corrida preparados com as taças na mão: acabava, rolava a contagem, o brinde e o parabéns, quase que tudo ao mesmo tempo. By the way, eu adoraria que voltasse a ser uma corrida noturna e acabasse a meia-noite. Eu sei, eu sei, tem zilhões de argumentos contra, mas eu continuo preferindo a corrida da virada.

Pois bem, esse ano achei a cobertura da corrida FAIL, uma decepção. Nas 2 emissoras. Aliás, por que sempre tem uma dupla comentarista formada por alguém que sabe do que está falando + alguém que não tem a menor idéia e faz os comentários mais estapafúrdios do planeta? Tipo "vejam o corredor nº xxx acabou de encostar no pelotão de elite!" (era um pipoca, que tinha entrado de gaiato na prova naquele trecho para aparecer um pouquinho). Ou então "e lá vai ele, tranquilo na liderança" (era um atleta que ia parar antes do final, por isso estava dando aquele gás master).
 
Considerando a quantidade de comentários infelizes, a cobertura de imagens tinha que ser ótima, né? Só que não foi. A disputa feminina vc viu? Pq eu não vi. Só vi a largada e depois de muuuuiiiiito tempo mostraram a líder e quando ela ganhou. Os comentaristas nem sabiam dizer quem estava em 2º lugar até mostrarem a pessoa. Ninguém viu como é que a Pasalia disparou, como estava a disputa no pelotão, como estavam as outras corredoras - enfim, como foi a prova em si. E olha que, na minha modesta opinião, o feminino costuma ser mais emocionante que o masculino (não, não é sexismo, é que no feminino costumam rolar mais surpresas, proporcionalmente, mas claro que as surpresas podem rolar em qq corrida) - quem lembra da última maratona olímpica?

No masculino a cobertura também deixou muito a desejar, muito tempo só acompanhando o líder e nada de mostrar aquela disputas e momentos emocionantes que rolam nos pelotões.

Além disso, tem Aquela Questão Espinhosa, que é a das quotas de atletas estrangeiros nas corridas. Acho que não tem resposta fácil para a questão. Quem é a favor de limitar a quantidade de estrangeiros diz que os atletas nacionais, que já nadam em dificuldades e dificilmente arrumam patrocínio, vão perder o pouco incentivo que têm e que dessa forma não conseguem as pontuações necessárias para as provas maiores.

Quem é contra, diz que fazer reserva de mercado é tapar o sol com a peneira e que tem é que melhorar a performance nacional e parar de mimimi, que a vida de atleta é dura e a competição é cruel mesmo.

Eu acho que é fácil bater martelos e distribuir veredictos. Mas a verdade é que essa força queniana (africana no geral) incomoda em todos os países. Nos EUA tem rolado uma queda mo interesse do público leigo em acompanhar as provas porque nenhum norte-americano vence. Ao mesmo tempo, se todo mundo limitar, os quenianos só vão poder concorrer mesmo e pontuar... no Quênia. E quantas provas internacionais e importantes acontecem lá mesmo?

Não é uma questão fácil, esporte para crescer precisa ter público, fãs, heróis nacionais. Ao mesmo tempo, o esporte tem o dom de dar espaço para talentos incríveis que podem surgir dos lugares mais improváveis, mais sem condições - e isso não dá para perder.

Ou seja, eu não tenho uma posição fechada a respeito, pq vejo razão dos dois lados da questão - não vejo é uma solução simples! Na dúvida, continuo em dúvida. E vcs?

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Pedra Grande, o treino


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 13/01/10 às 18:12 na(s) categoria(s) historias de corrida
Será que começar o ano ladeira acima é um sinal de sorte e prosperidade? É bom que seja, porque foi exatamente isso que eu fiz no 2º dia do ano (no 1º choveu choveu e choveu mais um pouco).

Primeiro, ninguém acreditou que o treino ia rolar, já que S. Pedro passou o dia anterior inteiro lavando (ou simplesmente jogando água) nas dependências divinas. Mas, no dia seguinte, pasmem: abriu um dia claro e até promissor. Aí seguiu-se uma conversa telefônica que virou rotina no final de ano, algo como:

- Oi
- Oi
- E aí, vamos lá?
- Blz, to indo aí

Super informativo e verborrágico. Um humor contagiante. É que, 1º, era de manhã. E, na verdade, a casa de mãmã fica 2 ruas do assim denominado Ponto de Encontro Para Treinos em Atibaia, então era só o caso de por o uniforme de corrida e andar 3 minutos, quiçá 5.

Pois bem, eu já estava sob impacto do treino do dia 30, da Volta do Mackenzie. E a perspectiva era nada mais nada menos do que subir a Pedra Grande. Quão grande? Bem, a pedra em si está a 1.450m acima do nível do mar, mas claro que Atibaia não está na beira da praia, então acho que deve ser uma subida com altitude de uns 500m, em um trajeto de que deve dar uns 8K ou 10K (ida e volta). Parece fácil? Sobe lá então!

Eu, que sempre vejo a Pedra Grande da piscina, nunca tinha subido por ali, em linha reta. É uma trilha bacana, que estava escorregadia (claro) com direito a deixar todo mundo com a marca registrada da Tribo Pé de Lama, daquele jeito que vc nem consegue mais enxergar o tênis. Por sorte, tem água no caminho - onde dá para lavar tudo, se refrescar e comprovar que o tênis Salomon realmente segura bem lama e água, tipo lavou tá novo (não visualmente pessoas otimistas, e sim de sensação, ele não fica pesado e molhadão).

Tem 3 opções de trilhas para subir a pedra desse lado, todas entre 2,4K e 3K (isso porque vc já subiu uns 2K até chegar no início das trilhas). É um treino excelente, tem trechos que dá para correr mais, outros menos (fora os que só andando, pelo menos para montanhistas suuuuper experientes como eu) e locais onde vc tem que subir nas pedras.

Aliás, o máximo é o grand finale, que é subir inclinadíssimo pela própria Pedra Grande e surgir do abismo causando pra dar de cara com os carros e pessoas que vieram motorizadas  pela estrada oficial, que vem pela rodovia D. Pedro I. Recomendo MUITO, mas fique esperto para:
- carrapatos e micuins
- torções e escorregões
- queimaduras de sol (eu tasquei um bloqueador antes de sair e fiquei zero bala, sem marca nenhuma)
- vertigens (eu ADORO altura, mas quem tem medo respira fundo e não olha para baixo)

Ah sim, só para constar: no dia seguinte deste detonante treino, adivinha? Mais uma Volta do Mackenzie com uns 21K, ou seja, 3 longões em 5 dias. Também, quem mandou se inscrever pro Cruce, né?

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